O dado de campanha já nasce no WhatsApp. Todo produto do mercado pede que o cabo eleitoral saia de onde já trabalha e vá digitar formulário em outra tela — no mês mais caótico da vida dele. Por isso não pega.
Este não pede migração. A interface é a que já está instalada.
O cabo termina a rua e manda um áudio. O motor transcreve na própria máquina, separa os fatos — pessoa, demanda, apoio, indicação — e devolve a confirmação numerada em segundos. Ele responde sim. Acabou. Não abriu app, não preencheu campo, não aprendeu nada.
A dor declarada nunca é "não consigo falar com eleitor". É "a demanda sumiu", "não sei quantos apoiadores tenho no bairro", "a resposta está só na minha cabeça". Tudo isso é problema de captura, não de disparo.
"Passei na rua São Vicente, falei com a dona Maria do 340, ela pediu ajuda com vaga e creche pro filho, topa colar adesivo no carro."
O mesmo relato entrou por texto e por voz, com transcrições diferentes, e a dona Maria continuou sendo uma linha na base. Reenviar o áudio também não cria demanda nova — vira nova menção, que é o sinal de que ela cobrou de novo.
Oito etapas em três zonas. Nas pontas está a equipe, fazendo o que já faria de qualquer jeito. No meio, quatro etapas que rodam sozinhas em segundos — e é só isso que o produto acrescenta à rotina de quem está na rua.
Em 2028 a unidade útil de território desce de cidade para bairro e rua. O modelo de dados já está assim, para não haver migração no meio da corrida.
A diferença decide o tamanho do negócio. Cadeira de vereador existe pouca; candidatura existe muita — e quem compra ferramenta de campanha é quem está disputando, não quem já ganhou.
Duas consequências de negócio: a receita é sazonal e concentrada, com pico brutal em ano eleitoral; e a aquisição precisa acontecer antes da janela, porque dentro dela ninguém tem tempo de avaliar fornecedor novo.
Quanto mais disputada a praça, maior a dor: o mesmo bairro recebe dezenas de campanhas na mesma semana, e quem não registra quem já visitou queima a rua duas vezes. Disputa alta é demanda por organização — e é o que torna Itajaí um bom laboratório em vez de um caso fácil.
O concorrente cobra R$ 47 vitalício[6] por um web app de 12 telas. É clonável num fim de semana, e por isso o preço afunda. Aqui a conta é outra: transcrição e extração têm custo marginal por uso, então o modelo é assinatura por ciclo de campanha — com custo variável real embutido.
| Premissa | Valor | De onde vem |
|---|---|---|
| Preço por ciclo | R$ 1.200 | [DADO A CONFIRMAR] — hipótese de trabalho. Nunca foi cobrado de ninguém, e é a premissa de que todo o resto depende |
| Cabos por campanha | 3 | porte típico de campanha de vereador |
| Relatos por cabo/dia | 6 | hipótese; sai medido no piloto |
| Dias de campanha | 90 | janela legal aproximada |
| Custo de extração | R$ 0,08 | estimativa com cache de prompt[7] |
| Chip e linha | R$ 40/mês | linha pré-paga dedicada |
| Servidor | R$ 15/mês | fração de VPS compartilhada entre campanhas |
Transcrição não aparece na conta porque roda local e custa zero. É a maior linha de custo dos concorrentes que usam API de terceiro — e some inteira aqui.
Rodar o piloto inteiro custa cerca de R$ 1.660: servidor, cinco chips e a extração de cinco campanhas por quatro meses[13]. Contra um teto de receita de R$ 6 mil. Não é um negócio — é um laboratório que quase se paga.
A tentação é multiplicar Itajaí por 5.568 municípios e anunciar um número grande. Não serve: com 292 candidaturas, Itajaí tem 3,8× a média nacional por município[14]. O que a cidade prova não é o tamanho do Brasil — é que o modelo fecha numa praça só, com margem, sem equipe e sem venda complexa. Replicar é decisão de distribuição, não de produto.
Os outros nove todo mundo já resolve de um jeito ruim porém funcionando. Não se ganha a rotina disputando esses.
A LGPD trata afiliação e opinião política como dado pessoal sensível[8]. Muda o regime: base legal específica, controle de acesso por pessoa e descarte após a campanha. Quatro consequências de projeto, decididas antes de virarem retrabalho: